Larissa Almeida da Silva Ferreira, estudante de Psicologia na FESP, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Iniciação para Pessoas Acadêmicas e Jovens Profissionais da Psicologia. O anúncio foi feito durante o XVIII Encontro Paranaense de Psicologia, em Maringá (PR).
Este prêmio foi concedido pela publicação do trabalho “Ecoansiedade na Psique e no Desenvolvimento Emocional dos Jovens na Era do Colapso Ambiental”.
De acordo com Thereza Salomé D’Espíndula, professora de Psicologia na FESP e orientadora do projeto, o trabalho inicialmente fazia parte de uma disciplina chamada Projeto Integrador, na qual os alunos formam equipes e desenvolvem pesquisas sobre temas emergentes, conforme o interesse de cada grupo.
“A Larissa tinha a intenção de desenvolver uma pesquisa em uma área muito específica e optou por fazer um trabalho individual. Seu interesse foi tamanho que orientá-la se tornou uma tarefa bastante agradável, sem maiores dificuldades”, conta Thereza.
Para a estudante, o prêmio foi uma surpresa. “Confesso que não tinha nenhuma expectativa de ganhar o primeiro lugar. Havia trabalhos excelentes no evento. Foi uma sensação incrível! Eu realmente não esperava esse reconhecimento, especialmente por ser o primeiro artigo que escrevi com a intenção de publicação. Além disso, o tema era relativamente novo para mim. Embora já tivesse algum contato com questões ambientais, a ecoansiedade despertou minha curiosidade, e explorar esse aspecto foi extremamente motivador”, relata Larissa.

Larissa Almeida da Silva Ferreira, estudante de Psicologia na FESP e vencedora do primeiro lugar do Prêmio Iniciação para Pessoas Acadêmicas e Jovens Profissionais da Psicologia (foto: divulgação)
Eco-Ansiedade na Psique e Desenvolvimento Emocional
A proposta original deste artigo era combinar o estudo do desenvolvimento humano — que, na época, Larissa cursava com foco na infância e adolescência — com uma disciplina voltada para a produção científica. “Na FESP, tínhamos uma matéria dedicada exclusivamente à elaboração de artigos acadêmicos, e cursá-la simultaneamente com a disciplina de desenvolvimento humano abriu a possibilidade de integrar os dois temas. A preocupação ambiental sempre foi algo que me interessou e instigou, um campo de estudo que desperta muitas reflexões. Quando surgiu a oportunidade de unir esses interesses, fez total sentido explorar essa conexão no meu trabalho”, lembra Larissa.
Segundo a autora, o artigo busca investigar como as mudanças ambientais — em sua maioria negativas, como a degradação do meio ambiente e a limitação de recursos naturais — impactam a vida das pessoas. “O foco está em compreender o sofrimento psicológico decorrente dessas transformações e reconhecer que a psicologia precisa estar preparada para lidar com essas questões. O estudo se concentra tanto nas pessoas que já vivenciam essas mudanças quanto naquelas que nascerão em um cenário muito diferente do que existia há algumas décadas. O objetivo é refletir sobre o impacto subjetivo dessas transformações: como elas afetam a percepção de mundo e o senso de pertencimento, especialmente entre crianças e adolescentes.
Há, evidentemente, um sofrimento direto e concreto — como o luto por entes queridos ou pela perda de territórios em desastres ambientais. No entanto, também existe um sofrimento mais sutil e profundo, relacionado à maneira como percebemos essas mudanças e ao impacto psicológico que elas geram. Diante desse cenário, a psicologia precisa se preparar para acolher o sofrimento emocional de jovens que crescem sob a perspectiva de um futuro incerto — seja ele marcado por perdas, escassez de recursos ou transformações radicais no ambiente. A grande questão é: estaremos prontos para enfrentar e compreender esse impacto no bem-estar psicológico das próximas gerações?”, pondera Larissa.
Como conclusão, o artigo enfatiza que esse é um tema que não pode ser ignorado e que demanda uma abordagem multidisciplinar. “Já existem previsões e indicativos preocupantes para o futuro, e o impacto emocional dessas mudanças precisará ser trabalhado de alguma forma. No entanto, essa não é uma questão exclusiva da psicologia ou das ciências ambientais — trata-se de um desafio que exige um diálogo entre diferentes áreas do conhecimento para que possamos compreender e acolher esse sofrimento de maneira efetiva”, comenta Larissa.
Thereza Salomé D’Espíndula, professora de Psicologia na FESP e orientadora do projeto, reforça a importância da psicologia como ciência por sua ampla aplicabilidade em diversas circunstâncias. “Dentro desse contexto, as questões relacionadas à ecoansiedade, abordadas no trabalho, podem contribuir significativamente para o entendimento da crise climática e ecológica atual, sob a perspectiva dos impactos sobre os seres humanos”, conclui.
Incentivo à pesquisa acadêmica
Por ter sido apresentado no Encontro Paranaense de Psicologia, o estudo, por si só, já constará nos anais do evento. “Posteriormente, ele pode ser submetido a algum periódico da área para publicação, além de estimular a realização de outros estudos similares, seja pela aluna ou por outros interessados no tema. Sem dúvida, atua como um incentivo para pesquisas ainda mais aprofundadas sobre temas tão relevantes quanto emergentes para a profissão”, opina a professora.
Larissa confirma esse incentivo: “Pretendo continuar escrevendo sobre temas que considero essenciais para a crítica e a reflexão sobre o mundo – tudo aquilo que precisa ser debatido e transformado. Esse não é o único assunto que merece atenção, mas é um dos centrais, pois a realidade concreta em que vivemos e as condições que temos hoje influenciam diretamente as possibilidades de ação e mudança no futuro. É fundamental refletir sobre o essencial antes de avançar para outros debates. Afinal, tempo e recursos são finitos, e precisamos agir enquanto ainda temos essa oportunidade”.
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